Os gastos dos deputados federais goianos com divulgação da atividade parlamentar subiram neste ano eleitoral. Foi assim também em 2024, ano das eleições municipais, quando os parlamentares intensificaram o uso da verba destinada a comunicar o mandato à população. No primeiro semestre deste ano, a divulgação consumiu 51,4% de tudo que os 17 deputados federais por Goiás gastaram com a cota parlamentar — acima dos 47,4% registrados no triênio 2023-2025.

A cota parlamentar prevê, entre suas categorias de despesa, a divulgação da atividade parlamentar — recursos que podem ser usados para produção de conteúdo, impulsionamento em redes sociais, publicidade institucional e comunicação com os eleitores. A rubrica é legal e permitida, mas seu uso intensificado em períodos pré-eleitorais levanta uma questão recorrente: em que ponto a divulgação do mandato se confunde com a antecipação da campanha?

Câmara dos Deputados
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Gastos

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A reportagem mapeou os gastos da bancada goiana entre 2023 até o 1º semestre de 2026. No ano de 2024, marcado pelas eleições municipais, registrou o maior volume de gastos do período — e a divulgação foi a principal categoria de despesa, com 47,4% do total. O dado sugere que parlamentares que disputavam ou apoiavam candidatos nas eleições municipais aceleraram o uso da cota para ampliar sua visibilidade.

Agora, com as eleições de outubro de 2026 no horizonte — desta vez para governo, Senado, Câmara e Assembleia Legislativa —, o movimento se repete com força ainda maior. Dos R$ 3,69 milhões gastos pelos deputados federais goianos no primeiro semestre deste ano, R$ 1,9 milhão foi para divulgação — alta de 51,4% em relação à média histórica da categoria.

José Nelto (Podemos) lidera o ranking de gastos com divulgação no primeiro semestre de 2026, com R$ 220,7 mil destinados à categoria — equivalente a 88,4% de tudo que o deputado gastou com a cota no período. Glaustin da Fokus (Podemos) aparece em segundo, com R$ 183,2 mil em divulgação (74,3% do seu total). Célio Silveira (MDB) gastou R$ 175 mil na rubrica, 81,5% de seus gastos no semestre.

No extremo oposto, Gustavo Gayer (PL) registrou apenas R$ 1.050 em divulgação — menos de 1% do seu gasto total de R$ 125,5 mil no período. Magda Mofatto (PL) destinou R$ 45 mil à categoria, 19,2% do seu total. Adriano do Baldy (PSD) gastou R$ 57,2 mil em divulgação, 24,5% do seu total no semestre.

Legislação

A legislação eleitoral proíbe a antecipação de campanha antes do período oficial, que começa após as convenções partidárias, previstas para julho e agosto. A cota parlamentar, porém, pode ser usada para divulgação do mandato durante todo o ano — e a linha entre as duas coisas é, na prática, difícil de traçar. Um parlamentar que impulsiona publicações sobre sua atuação legislativa meses antes das eleições está exercendo o mandato ou já está fazendo campanha?

A resposta, juridicamente, depende do conteúdo — mas o crescimento consistente dos gastos com divulgação em anos eleitorais sugere que os dois objetivos, ao menos em parte, caminham juntos.

Gastos
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Pico

O crescimento dos gastos com divulgação em 2026 não foi linear. Analisando mês a mês, maio concentrou os maiores desembolsos de vários parlamentares. José Nelto (Podemos) gastou R$ 108,8 mil só em maio — mais do que nos quatro meses anteriores somados. Dr. Ismael Alexandrino (Republicanos) registrou R$ 57,2 mil no mesmo mês, seu maior valor do semestre. Célio Silveira (MDB) chegou a R$ 75 mil em maio, triplicando a média dos meses anteriores.

O mês coincide com o período de intensificação das articulações pré-convenções — quando partidos realizaram encontros, lançamentos de pré-candidaturas e outros eventos.

O que diz a legislação?

A Lei nº 9.096/1995 e as resoluções da Câmara dos Deputados permitem o uso da cota para divulgação da atividade parlamentar durante todo o mandato, sem restrição de período. A legislação eleitoral, por sua vez, proíbe a propaganda eleitoral antecipada — aquela que pede voto ou promove candidatura antes do período oficial.

O problema é que as duas normas coexistem sem uma fronteira clara. Um post patrocinado que destaca as realizações de um deputado meses antes da eleição pode ser, simultaneamente, divulgação legítima do mandato e aquecimento de campanha. O Tribunal Superior Eleitoral já se manifestou em casos específicos, mas não existe regulamentação que limite o uso da cota em períodos pré-eleitorais. Na prática, o controle é feito a posteriori — e raramente resulta em punição.

FONTE/CRÉDITOS: Glaucio teixeira